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Terminam os dois cercos em Paris. Os atacantes do Charlie Hebdo foram mortos pela polícia.

O Homem que fez vários reféns em mercearia na capital francesa também foi abatido pela polícia. Alguns reféns foram libertados, outros morreram.

Os suspeitos de terem levado a cabo o ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo morreram na operação policial desencadeada nesta sexta-feira na gráfica onde estavam barricados e onde tinham feito um refém, confirmaram fontes governamentais à Reuters e à AFP. O jornal Le Monde avança ainda com a morte do homem que estava barricado numa mercearia kosher na zona oriental de Paris.

Depois de horas de tensão a subir desde que, de manhã cedo, surgiram as primeiras notícias relativas aos dois irmãos que roubaram um carro e se barricaram numa gráfica, a situação parece ter-se resolvido com rapidez: explosões e trocas de tiro na gráfica, seguidas, pouco depois, de trocas de tiros e explosões numa mercearia kosher (que vende comida que respeita as regras da religião judaica) junto à Porta de Vincennes, na zona oriental da capital francesa.

A polícia confirma que os dois irmãos suspeitos do ataque ao Charlie Hebdo, Chérif et Said Kouachi, morreram.

O diário Le Monde faz um resumo do que é certo até este momento: para além da morte dos irmãos, um dos sequestradores da mercearia foi morto e vários dos seus reféns foram libertados. Mas sublinha que até agora não se sabe se o atacante da mercearia era Amady Coulibaly, o principal suspeito da morte, na quinta-feira, de uma agente da polícia, ou outro (poderia haver dois atacantes neste local), e se todos os reféns estão a salvo. Fontes disseram ao diário que vários reféns morreram, não é claro em que circunstâncias. Há feridos entre os polícias que participaram nas operações.

Foi um final rápido para três dias de choque e comoção em França e de uma enorme operação antiterrorismo que juntou 88 mil agentes, que começou com o ataque no Charlie Hebdo na quarta-feira e que se complicou com um segundo ataque, na manhã de quinta-feira, que deixou uma agente da polícia morta e um funcionário municipal ferido. O próprio Presidente francês, François Hollande, disse numa conferência de imprensa que “a França está em choque por os autores ainda não terem sido detidos”. “E falo-vos quando está em curso uma operação.”

O ministro do Interior, Berbard Cazeneuve, foi o primeiro a falar depois do fim das operações. Prestou tributo ao “trabalho excepcional” das forças de segurança.

Acções simultâneas
As duas operações de “caça ao homem” iam-se desenrolando simultaneamente e apenas esta sexta-feira de manhã se confirmou que havia ligação entre os dois casos: os dois irmãos seriam membros do mesmo círculo extremista do principal suspeito do segundo ataque.

No primeiro caso, depois de uma perseguição na auto-estrada, os dois irmãos barricaram-se numa pequena gráfica numa zona industrial perto do aeroporto Roissy-Charles de Gaulle. Helicópteros sobrevoavam os céus e as aterragens e descolagens da parte norte do aeroporto chegaram a ser canceladas. Testemunhas relatavam ter-se encontrado com os dois suspeitos e descreviam dois homens calmos e determinados. “Não matamos civis”, terá dito um deles a um comercial que saía da gráfica, onde tinha tido uma reunião.

No segundo caso, é descrita uma acção de uma ou duas pessoas, numa altura em que a polícia divulgava as fotografias do suspeito de ter morto a polícia e da sua companheira, considerados “armados e perigosos” — Amedy Coulibaly, 32 anos, e Hayat Boumeddiene, de 26 anos.

Começam a surgir informações sobre Coulibaly: uma fonte diz que passou da pequena para a grande criminalidade e para o islamismo. Surgiu ainda um artigo de jornal em que alguém que parece ser o suspeito, e tem o mesmo nome, se teria encontrado com o então Presidente, Nicolas Sarkozy, numa iniciativa sobre formação profissional e emprego no Eliseu, em 2009.

De repente, surgem informações de trocas de tiros e explosões na gráfica, trocas de tiros e explosões na mercearia. As operações terão durado breves minutos. As duas “caças ao homem” chegaram ao fim quase em simultâneo.

Do lado dos testemunhos, onde antes se ouviam perguntas sobre rumores de evacuações ou presença de homens armados em vários locais de Paris, começaram-se a ouvir declarações de medo. Um aluno dizia que não queria andar de metro no dia seguinte, uma habitante do bairro da mercearia dizia ter medo de que outros radicais se inspirassem nestas acções e levassem a cabo mais ataques. “Hoje foi nesta mercearia, a próxima pode ser num grande supermercado". Fonte: Público.

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