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Na primeira declaração desde que foi detido, José Sócrates diz-se alvo de "uma humilhação gratuita" e de acusações "absurdas".

"Não tenho dúvidas que este caso tem também contornos políticos", lê-se numa carta ontem enviada pelo advogado de José Sócrates, João Araújo, à TSF.

Uma expressão semelhante, "caso político", foi ontem utilizada por Mário Soares depois de ter visitado o antigo primeiro-ministro no Estabelecimento Prisional de Évora, onde cumpre prisão preventiva indiciado pelos crimes de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal.

Sócrates fala também para o PS, que reúne em Congresso este fim-de-semana em Lisboa. "Quero o que for político à margem deste debate. Este processo é comigo e só comigo. Qualquer envolvimento do Partido Socialista só me prejudicaria, prejudicaria o Partido e prejudicaria a Democracia", lê-se no mesmo documento.

O antigo primeiro-ministro faz assim eco da estratégia lançada por António Costa logo no primeiro dia: o novo secretário-geral do PS referiu-se ao caso como pertencendo à Justiça e pediu aos militantes para distinguirem os sentimentos que nutrem por Sócrates da acção política do PS.

Na sua declaração Sócrates não poupa críticas à Justiça: "a minha detenção para interrogatório foi um abuso e o espectáculo montado em torno dela uma infâmia; as imputações que me são dirigidas são absurdas, injustas e infundamentadas; a decisão de me colocar em prisão preventiva é injustificada e constitui uma humilhação gratuita".

Promete ainda agir "em legítima defesa" para "desmentir as falsidades lançadas" e responsabilizar "quem as engendrou", criticando a violação do segredo de justiça. Assegura, na última linha do texto, que "este processo só agora começou".
Fonte: Económico.

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